Calculadora de leasing
Resultado
Diferença de custo (leasing menos compra)
- Parcela mensal
- 607,77
- Custo total do leasing
- 25.879,72
- Custo líquido da compra
- 18.016,72
- Parcela mensal da compra
- 1.111,58
- Valor residual
- 20.000,00
- Depreciação por mês
- 444,44
- Encargo financeiro por mês
- 163,33
- Encargo financeiro total
- 5.879,88
- Custo total da compra
- 44.016,72
- Fator financeiro
- 0,0029167
Um leasing é precificado por um número que não precisa ser verdade. Esse número é o valor residual: o valor que o contrato diz que o carro ainda vai valer no fim, e é ele que define quanta depreciação você paga e, portanto, qual é a parcela. A opinião do mercado sobre esse mesmo carro no fim do contrato é outro número, e esta calculadora mantém os dois separados porque eles respondem a perguntas diferentes. O valor residual precifica o leasing. O valor de revenda decide se valeu mais a pena fazer leasing do que comprar. Esta é uma estrutura do mercado americano, com duas peças típicas de lá: o percentual residual escrito no contrato e o fator financeiro. No Brasil o nome mais próximo é o arrendamento mercantil, o leasing, mas o produto que a maioria das pessoas de fato compara por aqui é o financiamento do veículo, cujo sistema de parcelas constantes mais usado é a Tabela Price, e o consórcio, que é um grupo de compra e não um empréstimo. Esta página não calcula nem financiamento nem consórcio: ela compara as duas estruturas de uma proposta de leasing americana. Num carro de 40.000 com 4.000 de entrada em 36 meses, um residual de 50% significa que o contrato supõe que o carro vale 20.000 no fim, então a depreciação que você paga é 16.000, ou 444,44 por mês. Some o encargo financeiro, 163,33 por mês, calculado sobre a média entre os 36.000 financiados e os 20.000 residuais, e a parcela é 607,77. Se o carro de fato valer 26.000 no fim, comprar à vista e vender depois custa 18.016,72 líquidos, contra 25.879,72 do leasing, então o leasing custa 7.863,00 a mais. Mude apenas o valor de revenda para 20.000, igual ao residual do contrato, e a diferença encolhe para 1.863,00 sem que a parcela do leasing se mova. Mude o residual, que move a parcela, e a diferença pode cruzar o zero: com residual de 65% em 60 meses e o carro sendo revendido por 20.000, o leasing sai 1.920,63 na frente. Isso não é contradição. Um residual otimista é uma transferência do locador para o locatário, e é a razão de a tabela abaixo mostrar a diferença aumentando conforme a entrada sobe, em vez de cair.
Carro de 40.000, 36 meses, 50% de residual, revendido por 26.000
| Entrada | Parcela mensal | Custo total do leasing | Custo líquido da compra | Diferença |
|---|---|---|---|---|
| 0 | 730.56 | 26300.16 | 18463.05 | 7837.11 |
| 4000 | 607.77 | 25879.72 | 18016.72 | 7863 |
| 10000 | 423.61 | 25249.96 | 17347.28 | 7902.68 |
| 16000 | 239.44 | 24619.84 | 16677.8 | 7942.04 |
A primeira coluna se move e a última quase não se move, e é aí que está o achado: ir de nada de entrada para 16.000 de entrada corta a parcela em dois terços, de 730,56 para 239,44, e move a comparação em 104,93, na direção de comprar. A razão é que entrada num leasing não é patrimônio, é depreciação paga adiantada; o total cai só 1.680,32, de 26.300,16 para 24.619,84, porque o dinheiro apenas troca de mãos mais cedo. A diferença em si vem das outras duas colunas: o leasing custa de pouco mais de 24.600 a pouco mais de 26.300, qualquer que seja a linha, enquanto o custo líquido de comprar e vender vai de 18.463,05 até 16.677,80. Essa distância é o que o valor de revenda está fazendo, e é por isso que a estimativa de revenda importa mais do que qualquer coisa nesta tabela.
Fórmula
Custo capitalizado = preço − entrada. Valor residual = preço × percentual residual. Depreciação por mês = (custo capitalizado − valor residual) ÷ prazo. Fator financeiro = taxa anual ÷ 2.400. Encargo financeiro por mês = (custo capitalizado + valor residual) × fator financeiro. Parcela do leasing = depreciação + encargo financeiro. Custo líquido da compra = total pago no financiamento da compra + entrada − valor de revenda.
- P
- Preço do ativo
- d
- Entrada, que reduz o custo capitalizado
- s
- Percentual residual escrito no contrato
- R
- Valor residual: a estimativa do contrato para o que o ativo vale no fim
- V
- Valor de revenda: o que o ativo de fato alcança no fim
- a
- Taxa anual, em porcentagem
- n
- Prazo em meses
Use quando você estiver escolhendo entre fazer leasing e comprar, que não é a pergunta que a parcela responde. Digite o preço e a entrada, e depois ajuste o valor de revenda para o que o carro realmente vai valer no fim: esse é o número que você tem de estimar, e é o número que a proposta do vendedor não traz. Leia a última coluna primeiro, porque ela é a comparação inteira numa cifra só, e um número positivo significa que comprar e vender ganha. Em seguida verifique se o residual do contrato está acima ou abaixo da sua estimativa de revenda, porque isso diz o que o leasing está de fato fazendo. Acima significa que o locador está cobrando de você menos depreciação do que vai acontecer de verdade, o que faz a parcela parecer boa e a opção de compra parecer ruim; abaixo significa o contrário. Por fim, repare que a tabela mantém o valor de revenda fixo e mexe na entrada, que é a alavanca que as pessoas esperam que ajude e que quase não ajuda. No Brasil, quem quiser comparar com um caminho conhecido por aqui deve lembrar que o financiamento de veículo em Tabela Price e o consórcio não são calculados nesta página.
Exemplos resolvidos
Carro de 40.000, 4.000 de entrada, 36 meses, 50% de residual
- Custo capitalizado: 40.000 − 4.000 = 36.000
- Valor residual: 40.000 × 50% = 20.000
- Depreciação por mês: (36.000 − 20.000) ÷ 36 = 444,44
- Fator financeiro: 7 ÷ 2.400 = 0,0029167
- Encargo financeiro por mês: (36.000 + 20.000) × 0,0029167 = 163,33
- Parcela do leasing: 444,44 + 163,33 = 607,77, então o leasing custa 4.000 + 36 × 607,77 = 25.879,72
- Comprar: um financiamento de 36.000 a 7% em 36 meses dá 1.111,58 por mês, 44.016,72 no total com a entrada
- Vender por 26.000 deixa um custo líquido da compra de 18.016,72, então o leasing custa 7.863,00 a mais
É o caso padrão. O encargo financeiro é a parte que surpreende: 163,33 por mês sobre um saldo que cai de 36.000 para 20.000, o que dá 5.879,88 ao longo do contrato. Compare com os juros do financiamento equivalente, que são 4.016,72: o leasing é a forma mais cara de tomar dinheiro emprestado, antes de qualquer consideração sobre quanto o carro vale.
O mesmo leasing quando o carro é revendido por 20.000
- Tudo do lado do leasing continua igual: a parcela ainda é 607,77 e o total ainda é 25.879,72
- Comprar e vender: 44.016,72 saem, 20.000 entram, então o líquido é 24.016,72
- Diferença: 25.879,72 − 24.016,72 = 1.863,00 a favor de comprar
- Esses 1.863,00 ficam muito perto da diferença entre o encargo financeiro total do leasing, 5.879,88, e os juros do financiamento da compra, 4.016,72
O valor residual e o valor de revenda agora são o mesmo número, e mesmo assim o leasing perde por 1.863,00. Nada do leasing mudou: a parcela, o total e o encargo financeiro são idênticos aos do caso padrão. O que mudou foi quanto o lado da compra recupera no fim, e isso basta para mover a comparação em 6.000. A diferença que sobra é o encargo financeiro do leasing sendo mais caro do que os juros do financiamento, e isso sobrevive mesmo quando os dois lados concordam sobre a depreciação.
Residual de 65% em 60 meses, com o carro sendo revendido por 20.000
- Valor residual: 40.000 × 65% = 26.000, então a depreciação cobrada é só 36.000 − 26.000 = 10.000
- Depreciação por mês: 10.000 ÷ 60 = 166,67
- Encargo financeiro por mês: (36.000 + 26.000) × 0,0029167 = 180,83
- Parcela do leasing: 347,50, e o custo total do leasing é 24.850,00
- Comprar: um financiamento de 36.000 a 7% em 60 meses dá 712,84 por mês, 46.770,63 no total
- Vender por 20.000 deixa um custo líquido da compra de 26.770,63
- Diferença: 24.850,00 − 26.770,63 = −1.920,63, então o leasing ganha
É o caso que mostra por que os dois valores residuais têm de ficar separados. O contrato supõe que o carro mantém 65% do valor por cinco anos; o mercado diz 20.000, que é 50%. O locatário paga depreciação sobre apenas 10.000, então a parcela é 347,50, barata. A armadilha está no fim: comprar o carro ao término do leasing significaria pagar 26.000 por algo que vale 20.000. A comparação aqui supõe que os dois caminhos terminam sem o carro, e é por isso que o leasing sai na frente; a vantagem é real, mas é o otimismo do locador sendo repassado a você, e ela desaparece no momento em que você exerce a opção de compra.
Limitações
Toda tarifa foi retirada dos dois lados, de propósito, porque uma proposta de leasing e uma proposta de compra quase nunca detalham as mesmas coisas: tarifa de abertura, tarifa de devolução, cobranças por excesso de quilometragem e por desgaste, imposto sobre a parcela mensal em alguns lugares e sobre o preço inteiro em outros, registro e documentação. Trazê-las de volta moveria a diferença em centenas, e em alguns casos mais do que a própria diferença, então esta página deve ser lida como uma comparação entre as duas estruturas, e não entre duas ofertas. O lado da compra supõe que o carro é vendido no fim pelo valor de revenda digitado, e que o financiamento corre o prazo inteiro sem quitação antecipada; quem fica com o carro por dez anos tem uma resposta completamente diferente, porque o valor de revenda deixa de ser o número relevante e a vida útil restante do carro passa a ser. O lado do leasing supõe que a parcela não tem limite de quilometragem atrelado, o que todo leasing real tem, e que o carro é devolvido numa condição que não gera cobrança. As taxas de juros são mantidas iguais nos dois lados, enquanto um leasing e um financiamento de compra costumam ter preços diferentes. A depreciação é modelada como uma reta, o que ela não é. Para quem lê isto no Brasil, há duas ressalvas. A primeira é que esta é uma estrutura do mercado americano: o percentual residual escrito no contrato e o fator financeiro são o vocabulário de lá, e o arrendamento mercantil brasileiro, apesar do nome parecido, é um produto de outro mercado, com regras próprias de devolução e de opção de compra; o financiamento de veículo em Tabela Price e o consórcio também não são calculados aqui. A segunda, e mais importante, é que isto não é um CET. O CET, Custo Efetivo Total, é o número que a regulamentação brasileira obriga o credor a divulgar antes da contratação de um crédito, e ele reúne juros, tarifas, tributos e seguros obrigatórios. Como esta página calcula apenas depreciação e encargo financeiro, e ainda por cima com todas as tarifas dos dois lados removidas de propósito, ela compara duas estruturas e não informa o custo de nenhuma operação no Brasil. E nenhuma moeda acompanha qualquer cifra desta página.
Perguntas frequentes
- Qual é a diferença entre o valor residual e o valor de revenda?
- O valor residual está escrito no contrato e precifica o leasing: ele decide quanta depreciação você paga e, portanto, a parcela. O valor de revenda é o que o carro de fato alcança no fim. O primeiro define a parcela, o segundo decide se o leasing ganhou da compra, e os dois costumam ficar bem distantes.
- O que é um fator financeiro?
- É a taxa de juros do leasing expressa numa forma que se aplica ao saldo sem dividir por meses. Divida a taxa anual por 2.400 para chegar nele: 7% vira 0,0029167. Multiplique isso pela soma do custo capitalizado com o valor residual para obter o encargo financeiro do mês, e é por isso que o número parece pequeno e não é.
- Como a parcela mensal do leasing é montada?
- Com duas partes. A depreciação é o custo capitalizado menos o valor residual, dividido pelo prazo: (36.000 − 20.000) ÷ 36 = 444,44. O encargo financeiro é a média dessas mesmas duas cifras, vezes o fator financeiro: 163,33. Some as duas para chegar à parcela, 607,77.
- O leasing pode sair realmente mais barato?
- Pode, e o caso que mostra isso é um valor residual de contrato acima do valor de mercado. Com residual de 65% em 60 meses e o carro sendo revendido por 20.000, o locatário paga depreciação sobre apenas 10.000 e o leasing sai 1.920,63 na frente. A armadilha é que comprar o carro no fim significa pagar 26.000 por algo que vale 20.000, então a vantagem só se sustenta se você não ficar com o carro.
- Dar uma entrada maior melhora o leasing?
- Ela reduz a parcela e piora um pouco a comparação, que é o contrário do que a maioria espera. Na tabela, ir de nada de entrada para 16.000 de entrada leva a parcela de 730,56 para 239,44 enquanto a diferença a favor de comprar aumenta de 7.837,11 para 7.942,04. Entrada num leasing é depreciação paga adiantada: ela reduz a cifra mensal sem reduzir o total.
- O que fica de fora desta comparação?
- Todas as tarifas dos dois lados, os limites de quilometragem, as cobranças por desgaste e por devolução, os tributos, e a possibilidade de os dois lados terem taxas diferentes. Ela também supõe que os dois caminhos terminam sem o carro. Leia como uma comparação entre as duas estruturas, e não entre duas ofertas específicas. E nenhuma moeda acompanha qualquer cifra.
Referências
- 12 CFR 1013.4 — Content of disclosures (Regulation M, Consumer Leasing): paragraph (f)(5) defines the depreciation charge as the difference between the adjusted capitalized cost and the residual value, (f)(4) describes the residual value as the figure used in calculating the base periodic payment, and (k) covers the lessee's liability for the difference between the residual and the realised value — Electronic Code of Federal Regulations, United States
- 15 U.S.C. § 1667 — Definitions (Consumer Leasing Act): the statutory definitions of a consumer lease, the residual value and the realised value, which is where the two-number structure on this page comes from — Legal Information Institute, Cornell Law School (United States)