Calculadora de HELOC
Resultado
Crédito disponível para você
- Dívida total máxima permitida
- 400.000,00
- Seu patrimônio hoje
- 250.000,00
- Patrimônio que não pode ser usado como garantia
- 100.000,00
- Relação crédito-valor combinada hoje (%)
- 50,00%
- Parcela só de juros
- 1.062,50
- Parcela durante o período de amortização
- 1.301,73
- Aumento quando a parcela sobe
- 239,23
- Juros pagos no período de saque
- 127.500,00
- Juros pagos no período de amortização
- 162.418,14
- Juros totais
- 289.918,14
O número em torno do qual uma calculadora de HELOC é construída não é quanto patrimônio você tem. É quanto dele um credor deixa você tomar emprestado, e os dois ficam bem distantes. HELOC é a sigla de home equity line of credit, uma linha de crédito rotativo garantida por imóvel que existe nos Estados Unidos e é oferecida por bancos americanos; no Brasil o produto mais próximo é o crédito com garantia de imóvel, mas não são a mesma coisa, porque no crédito com garantia de imóvel o dinheiro costuma ser liberado de uma vez como um empréstimo comum, e não como um limite que você saca e repõe ao longo de anos. Num imóvel de 500.000 com 250.000 ainda devidos, o patrimônio é 250.000, mas com um teto de LTV combinado de 80 por cento a dívida total permitida contra o imóvel é 400.000, e 250.000 disso já estão usados. O crédito disponível é 150.000, e 100.000 do patrimônio não pode ser usado como garantia de jeito nenhum dentro desse teto. Essa distância é o ponto inteiro das três primeiras colunas: o teto se aplica a todos os empréstimos garantidos pela casa somados, e não só ao novo, então um financiamento existente consome parte da linha antes de qualquer saque. A segunda metade da página trata do que a linha custa depois de existir, e ela tem duas fases com parcelas muito diferentes. Durante o período de saque o modelo supõe pagamento só de juros: sobre uma linha de 150.000 totalmente sacada a 8,5 por cento, isso é 1.062,50 por mês, e nada disso reduz o saldo. Quando o período de saque termina, o mesmo saldo é recalculado ao longo do período de amortização, e a parcela passa a 1.301,73: um aumento de 239,23 que chega numa data fixa e não depende de nada que você faça. Esse degrau não é uma multa nem uma mudança de taxa; é a estrutura de juros apenas chegando ao fim, e é por isso que a regra federal americana obriga o credor a avisar por escrito antes de abrir a conta, inclusive sobre a possibilidade de uma parcela balão no final. A tabela abaixo percorre tetos de 70 por cento a 90 por cento para que a primeira coluna da resposta, quanto está de fato disponível, apareça como uma decisão de política do credor e não como uma propriedade da casa.
Imóvel de 500.000 com 250.000 devidos, por teto de LTV combinado
| Teto (%) | Dívida total máxima | Crédito disponível | Parcela só de juros | Parcela recalculada |
|---|---|---|---|---|
| 70 | 350000 | 100000 | 708.33 | 867.82 |
| 80 | 400000 | 150000 | 1062.5 | 1301.73 |
| 90 | 450000 | 200000 | 1416.67 | 1735.65 |
A casa, a dívida e a taxa são idênticas nas três linhas; só o teto se move, e é isso que faz a terceira coluna ser lida como uma decisão de política do credor e não como uma propriedade da casa. Ir de 70% para 90% dobra o crédito disponível, de 100.000 para 200.000, e dobra junto a parcela só de juros, de 708,33 para 1.416,67. A quarta e a quinta colunas são o par que se lê em conjunto: em todos os tetos a parcela recalculada fica 22,5% acima da parcela só de juros, e essa proporção não depende de quanto foi tomado, depende apenas da taxa e do comprimento do período de amortização.
Fórmula
Dívida total máxima = valor do imóvel × teto de LTV combinado ÷ 100. Crédito disponível = dívida total máxima − saldo devedor do financiamento. Patrimônio = valor do imóvel − saldo devedor do financiamento. Parcela só de juros = valor sacado × taxa anual ÷ 12. Parcela da amortização = a parcela amortizada sobre o mesmo saldo ao longo do período de amortização.
- V
- Valor do imóvel
- B
- Saldo devedor do financiamento ainda em aberto
- c
- Teto de LTV combinado, em porcentagem do valor do imóvel
- D
- Valor sacado na linha
- r
- Taxa anual da linha, em porcentagem
- n
- Duração do período de saque, em meses
- m
- Duração do período de amortização, em meses
Use antes de pedir a linha, e não depois, porque o número que decide se vale abrir a conta é o terceiro e não é o que as pessoas estimam. Digite o valor do imóvel e o que ainda falta pagar, e depois mexa no teto: a diferença entre um teto de 70 por cento e um de 90 por cento na mesma casa é 100.000 de crédito disponível no caso padrão, e qual dos dois se aplica é uma questão de política do credor e de programa, não de qualquer coisa a respeito do imóvel. Em seguida leia as duas parcelas juntas, em vez de olhar só a primeira. A cifra só de juros é a que cabe no orçamento durante o período de saque, e a cifra recalculada é a que tem de caber depois; uma linha que é acessível a 1.062,50 e não é acessível a 1.301,73 é uma linha que vai virar problema numa data que você já consegue ver hoje. Por fim, mude o período de saque e observe o total de juros se mover: um período de saque mais longo não é gratuito, é apenas adiado. Vale lembrar que isto é uma linha de crédito de banco americano, com regras e vocabulário próprios daquele mercado.
Exemplos resolvidos
Imóvel de 500.000, 250.000 devidos, teto de 80%
- Dívida total máxima: 500.000 × 80% = 400.000
- Crédito disponível: 400.000 − 250.000 = 150.000
- Patrimônio: 500.000 − 250.000 = 250.000, dos quais 100.000 não podem ser usados como garantia neste teto
- Relação combinada atual: 250.000 ÷ 500.000 = 50%
- Parcela só de juros com a linha totalmente sacada: 150.000 × 8,5% ÷ 12 = 1.062,50, por 120 meses = 127.500 de juros
- Parcela recalculada: 150.000 a 8,5% em 240 meses = 1.301,73, carregando 162.418,14 de juros
- Juros totais nas duas fases: 289.918,14
É o caso padrão, e o que separa patrimônio de poder de empréstimo: 250.000 de patrimônio compram uma linha de 150.000. A distância não é tarifa nem desconto, é o teto incidindo sobre a pilha inteira de dívidas: o financiamento existente já usa 250.000 dos 400.000 permitidos, e a linha só pode ficar com o que sobra. Repare também que as duas fases juntas custam 289.918,14 de juros, o que é 1,9 vez o valor tomado.
A mesma linha num imóvel quitado
- Dívida total máxima: 500.000 × 80% = 400.000, inalterada pelo financiamento
- Crédito disponível: 400.000 − 0 = 400.000
- Patrimônio: 500.000, dos quais 100.000 ainda não podem ser usados como garantia
- Parcela só de juros com a linha totalmente sacada: 400.000 × 8,5% ÷ 12 = 2.833,33
- Parcela recalculada: 400.000 a 8,5% em 240 meses = 3.471,29
- Juros totais: 339.999,60 no período de saque e 433.111,49 depois
O teto não se move quando o financiamento desaparece, e os 100.000 que nunca podem ser usados como garantia também não: 80% é 80% do valor, não do patrimônio. O que muda é que os 400.000 inteiros ficam disponíveis, e as parcelas acompanham, com a cifra só de juros indo de 1.062,50 para 2.833,33. É o jeito mais claro de ver que o teto é uma regra sobre o imóvel, enquanto o crédito disponível é uma regra sobre quanto do imóvel já está dado em garantia.
A mesma casa com teto de 70%
- Dívida total máxima: 500.000 × 70% = 350.000
- Crédito disponível: 350.000 − 250.000 = 100.000
- Patrimônio que não pode ser usado como garantia neste teto: 250.000 − 100.000 = 150.000
- Parcela só de juros: 100.000 × 8,5% ÷ 12 = 708,33
- Parcela recalculada: 100.000 a 8,5% em 240 meses = 867,82
- Juros totais: 193.278,65 nas duas fases
Dez pontos percentuais de teto removem 50.000 de crédito disponível, e nada sobre a casa ou sobre o tomador mudou. A parcela só de juros cai para 708,33 e a recalculada para 867,82, então a linha também fica mais barata em termos absolutos, mas a razão de ler este caso é o terceiro passo: 150.000 de patrimônio ficam travados, o que é 60% de tudo o que o proprietário tem no imóvel.
Limitações
O teto de LTV combinado é uma entrada e não uma regra, porque quem o define são credores e programas, e não a lei, e o padrão de 80 por cento é uma cifra comum e não a cifra que você vai receber; a primeira coluna da resposta se move dezenas de milhares ao longo da faixa de tetos em uso normal. O modelo supõe que a linha é sacada por inteiro no primeiro dia e fica assim, o que é o pior caso para os juros e portanto um limite superior: quem saca aos poucos, ou não saca, paga menos. Ele supõe pagamento só de juros durante o período de saque, que é uma entre várias estruturas possíveis; uma linha que exija amortização durante o período de saque se comporta de outro jeito e não deixaria o mesmo saldo para recalcular. Ele supõe que a taxa é fixa, enquanto linhas garantidas por imóvel costumam ter taxa variável, o que torna a segunda fase a parte menos previsível da resposta. Ele não modela a tarifa anual que alguns credores cobram pela linha não usada, nem custos de contratação, nem a renovação do período só de juros. Se os juros da linha são dedutíveis é uma questão tributária que esta página não toca. Para quem lê isto no Brasil, há duas ressalvas. A primeira é que o HELOC é um produto americano: o teto combinado, o período de saque e o recálculo ao fim dele são práticas e regras do mercado dos Estados Unidos, e o produto brasileiro mais parecido, o crédito com garantia de imóvel, funciona de outra maneira, porque nele o valor costuma ser liberado de uma vez em vez de virar um limite rotativo, e as garantias e o registro seguem regras próprias. Esta página não calcula o crédito com garantia de imóvel, e não existe um produto brasileiro que ela esteja calculando sob outro nome. A segunda, e mais importante, é que isto não é um CET. O CET, Custo Efetivo Total, é o número que a regulamentação brasileira obriga o credor a divulgar antes da contratação de um crédito, e ele reúne juros, tarifas, tributos e seguros obrigatórios. Como esta página calcula apenas juros sobre valores sacados de uma linha, ela informa o custo do dinheiro e nada sobre o custo da operação. E nenhuma moeda acompanha qualquer cifra desta página.
Perguntas frequentes
- Quanto eu consigo tomar emprestado usando o meu imóvel como garantia?
- Menos do que o seu patrimônio, e normalmente bem menos. Num imóvel de 500.000 com 250.000 devidos, o patrimônio é 250.000, mas o crédito disponível com um teto combinado de 80% é 150.000. O teto se aplica a todos os empréstimos garantidos pela casa somados, então o financiamento existente consome parte dele antes de a linha tomar qualquer coisa.
- Por que 100.000 do meu patrimônio não podem ser usados como garantia?
- Porque o teto é uma fatia do valor do imóvel, e não do patrimônio, e o financiamento existente entra na conta. A 80% de 500.000 o total permitido é 400.000; 250.000 disso já estão emprestados, sobram 150.000 para a linha, e os 100.000 de patrimônio restantes ficam fora do que qualquer credor aceitaria como garantia nesse teto.
- O que acontece quando o período de saque termina?
- O saldo é recalculado ao longo do período de amortização, e a parcela sobe porque passa a ter de devolver principal além dos juros. Numa linha de 150.000 totalmente sacada a 8,5%, a parcela só de juros é 1.062,50 e a recalculada é 1.301,73, um aumento de 239,23 que chega numa data fixa. Não é multa nem mudança de taxa; é o fim da estrutura de juros apenas.
- Quanto de juros a linha custa no total?
- No caso padrão, 289.918,14 nas duas fases: 127.500 durante o período de saque de dez anos e 162.418,14 durante o período de amortização de vinte anos. Isso é cerca de 1,9 vez o valor tomado, e é a razão de a fase só de juros ser melhor entendida como adiamento do que como economia.
- A parcela durante o período de saque é mesmo só de juros?
- É a suposição que este modelo faz, e é uma entre várias estruturas que uma linha pode ter. A consequência é que o saldo não cai durante o período de saque, então o valor inteiro tem de ser pago depois. Uma linha que exija amortização durante o período de saque deixaria um saldo menor para recalcular, e esta página superestimaria tanto a parcela recalculada quanto os juros totais.
- Por que o teto é uma entrada e não um número fixo?
- Porque quem o define são credores e programas, e ele varia. O padrão de 80% é comum, mas não é universal, e a diferença entre um teto de 70% e um de 90% na mesma casa é 100.000 de crédito disponível no caso padrão, que é por que a tabela mostra três tetos em vez de afirmar um.
- E se a taxa subir?
- Este modelo mantém a taxa fixa, o que é uma limitação real, porque linhas garantidas por imóvel costumam ter taxa variável. Uma alta move as duas fases, e move mais a parcela recalculada, porque essa parcela está devolvendo principal num prazo restante fixo. E nenhuma moeda acompanha qualquer cifra.
Referências
- 12 CFR 1026.40 — Requirements for home equity plans: the disclosure rules for open-end credit secured by a dwelling, including the requirement at (d)(5)(ii) to state that a balloon payment may result if paying only the minimum periodic payments would not fully amortise the balance by a specified date — Electronic Code of Federal Regulations, United States
- What is a home equity line of credit (HELOC)? — the regulator's explanation of the draw period, the repayment period and how the two differ — Consumer Financial Protection Bureau (United States)
- What is a loan-to-value ratio? — the regulator's definition of the ratio and of the combined ratio once a second lien is added — Consumer Financial Protection Bureau (United States)