Calculadora de cartão de crédito
Resultado
Meses para quitar o saldo
- Anos para quitar o saldo
- 3,8
- Pagamento mínimo do primeiro mês
- 500,00
- Juros totais
- 861,13
- Total pago
- 5.861,13
- Juros por 100 emprestados
- 17,22
O pagamento mínimo de um cartão foi desenhado para ser acessível, não para ser um plano de quitação. Pague só ele e a fatura fica em dia, os juros são cobrados e quase nada acontece com o saldo, que é exatamente por isso que o pagamento mínimo existe e exatamente por isso que ele mantém gente endividada por anos. Esta calculadora de cartão de crédito pega os dois números que decidem quanto isso dura: a porcentagem que o seu cartão usa para calcular o mínimo e o piso absoluto que ele aplica a esse valor. Informe o saldo da fatura, a taxa, a porcentagem e o piso, e ela devolve em quantos meses você vai ficar pagando, quanto de juros totais vai sair no fim e qual é de fato o pagamento mínimo do primeiro mês, para você conferir com a sua fatura. O padrão, 5.000 a 18 por cento com mínimo de 10 por cento e piso de 25, é quitado em 45 meses e custa 861,13 de juros. Quarenta e cinco meses já parece muito para um saldo de 5.000. Agora baixe a porcentagem do mínimo para 3 por cento, que é o que muitos cartões usam, e o mesmo saldo leva 166 meses, quase catorze anos, e os juros chegam a 4.497,27, quase o saldo inteiro de novo. Nada mais mudou: mesmo cartão, mesma taxa, mesmos gastos. Foi só a porcentagem. O piso age no sentido oposto e principalmente sobre saldos pequenos: a 1 por cento com piso de 25, um saldo de 1.000 paga 25 por mês em vez de 10, e quita em 52 meses em vez de nunca chegar perto disso. Os dois números estão impressos na sua fatura e ambos constam do contrato do cartão; se você não os conhece, o pagamento do primeiro mês que esta página devolve é o caminho mais rápido para deduzi-los de trás para a frente. Antes de usar os números, o enquadramento para quem lê isto no Brasil, porque a regra que esta página calcula é americana. Duas peças vêm da regulação americana de cartões e não de regras brasileiras: a ideia de que o mínimo é uma porcentagem do saldo que pode ser repetida mês após mês, indefinidamente, até o saldo sumir, e o aviso obrigatório de pagamento mínimo que vem impresso na fatura. O cartão brasileiro funciona por outra lógica. A fatura é de pagamento integral, e o rotativo é a exceção: desde 2017 ele só pode durar até o vencimento da fatura seguinte, ou seja, cerca de trinta dias, e depois disso o banco é obrigado a oferecer o parcelamento da fatura em condições melhores do que as do rotativo. E desde 2024 os juros e encargos do rotativo e do parcelamento não podem passar de 100 por cento do valor original da dívida, um teto que não existe no desenho americano. Esta calculadora não modela nada disso. Ela responde o que aconteceria se o mínimo fosse uma porcentagem do saldo e pudesse ser pago indefinidamente, que é o cartão americano, e é por isso que os prazos que ela devolve, de 45 a 166 meses, são bem mais longos do que qualquer coisa que a regra brasileira permitiria.
5.000 a 18%, por porcentagem de pagamento mínimo
| Mínimo | Primeiro pagamento | Meses para quitar | Juros totais |
|---|---|---|---|
| 3 | 150 | 166 | 4497.27 |
| 5 | 250 | 89 | 2027.53 |
| 8 | 400 | 56 | 1117.92 |
| 10 | 500 | 45 | 861.13 |
Um saldo, uma taxa, quatro porcentagens de mínimo, e as duas últimas colunas são o argumento para nunca carregar saldo sobre um mínimo de porcentagem baixa. A primeira coluna de números parece inofensiva: de 150 a 500 por mês, tudo acessível. As duas seguintes mostram o que esses valores compram. A 3 por cento os juros chegam a 4.497,27 sobre um saldo de 5.000, o que dá 89,95 por cada 100 emprestados; a 10 por cento são 861,13. Todas as quatro linhas usam piso de 25, que só passa a valer nos últimos meses das linhas de baixo, quando a porcentagem do saldo restante cai abaixo dele. A porcentagem do seu cartão está no contrato, e se não estiver, o valor da sua fatura permite deduzi-la.
Fórmula
A cada mês: juros = saldo × taxa mensal; mínimo = o maior entre (saldo × porcentagem) e o piso; principal amortizado = mínimo − juros; o novo saldo é o antigo menos o principal.
- B
- Saldo devido no início do mês
- r
- Taxa de juros mensal: a taxa anual dividida por doze
- p
- Porcentagem de pagamento mínimo, conforme definida no contrato do cartão
- f
- Piso do pagamento mínimo: o menor valor que o cartão vai cobrar
- m
- Meses até o saldo chegar a zero, pagando só o mínimo
- I
- Juros totais pagos nesse período
Use na primeira vez que você decidir pagar só o mínimo de propósito, para saber a que você está concordando, e de novo sempre que o saldo mudar de rumo. Dois hábitos fazem valer os trinta segundos. O primeiro é olhar o que o piso faz num saldo pequeno: um piso de 25 contra um mínimo de 10 por cento significa que abaixo de 250 é o piso que você paga, e num saldo de 1.000 um mínimo de 1 por cento é salvo inteiramente pelo piso, sem o qual o pagamento não cobriria nem os juros do mês. O segundo é observar como a resposta se move quando você muda a porcentagem em um ponto, porque ela se move muito mais do que um ponto: na tabela abaixo, ir de 10 para 8 por cento acrescenta onze meses, e de 8 para 5 por cento acrescenta outros trinta e três. O que esta página não faz é modelar as outras duas coisas que você pode de fato fazer, que são pagar um valor fixo todo mês ou pagar um valor fixo depois de uma amortização extra. São contas diferentes e moram em páginas diferentes. Vale dizer com todas as letras mais uma coisa: esta calculadora não é o aviso de pagamento mínimo impresso na sua fatura. Aquele aviso é produzido sob regras prescritas que fixam como a estimativa é feita, e os números daqui são a aritmética por trás dele, rodada sobre o saldo, a taxa e a regra que você digitou. E uma nota para quem lê no Brasil, sobre o primeiro mês: aqui a taxa mensal costuma vir embutida no rotativo junto com o IOF, que esta página não tem, então o primeiro mês que ela devolve tende a ser menor que o encargo real de uma fatura brasileira não paga integralmente.
Exemplos resolvidos
5.000 a 18% com mínimo de 10% e piso de 25
- Taxa mensal: 18 ÷ 12 = 1,5% ao mês, ou 0,015 na forma decimal
- Primeiro mês: juros = 5.000 × 0,015 = 75,00; o mínimo é 10% de 5.000 = 500, que supera o piso de 25
- Principal amortizado no primeiro mês: 500 − 75 = 425, deixando 4.575
- O mínimo é recalculado todo mês sobre o saldo menor, então o pagamento cai conforme o saldo cai
- O saldo chega a zero depois de 45 pagamentos
- Total pago: 5.861,13, então os juros são 861,13
- Juros por 100 emprestados: 861,13 ÷ 5.000 × 100 = 17,22
O padrão, e a forma que você precisa entender antes de qualquer outra coisa: pagar uma porcentagem que diminui sobre um saldo que diminui faz a dívida se aproximar de zero em vez de chegar a ele. Quarenta e cinco meses sobre um saldo de 5.000 são três anos e nove meses, e os juros são 17,22 por cada 100 emprestados, ou seja, um quinto do saldo original entregue pelo uso dele.
O mesmo cartão com mínimo de 3%
- Só a porcentagem muda: 10% vira 3%
- Primeiro mês: os juros continuam 75,00, mas o mínimo é 3% de 5.000 = 150
- Principal amortizado no primeiro mês: 150 − 75 = 75, contra 425 no mínimo de 10%
- O saldo cai muito mais devagar, e o mínimo cai junto
- O saldo chega a zero depois de 166 pagamentos, ou 13,8 anos
- Juros totais: 4.497,27, contra 861,13 a 10%
Um campo mudou, e o prazo quase quadruplica enquanto os juros ficam cinco vezes maiores. É a coisa mais importante desta página: a porcentagem do mínimo é a diferença entre uma dívida que você quita em menos de quatro anos e uma que sobrevive à maioria dos financiamentos de carro, e ela é definida pelo cartão, não por você.
1.000 a 12% com mínimo de 1%, salvo pelo piso
- Taxa mensal: 12 ÷ 12 = 1% ao mês
- Primeiro mês: juros = 1.000 × 0,01 = 10,00; 1% do saldo também é 10,00, abaixo do piso de 25
- Então o mínimo é 25,00, e não 10,00: é o piso que está sendo pago
- Principal amortizado no primeiro mês: 25 − 10 = 15
- O saldo chega a zero depois de 52 pagamentos, ou 4,3 anos
- Juros totais: 283,49, ou 28,35 por 100 emprestados
Para que serve um piso absoluto. A 1 por cento de um saldo de 1.000 o pagamento seria 10,00 contra 10,00 de juros, e o saldo nunca cairia. O piso de 25 transforma uma dívida que não acaba numa que leva pouco mais de quatro anos, e é por isso que saldos pequenos em cartões de porcentagem baixa ainda assim são quitados.
Limitações
Esta página modela um saldo, uma taxa e uma regra de pagamento mínimo, e uma fatura real tem mais peças móveis do que isso. Gastos novos estão ausentes, e essa é a maior omissão: um cartão que você continua usando não está sendo quitado por um pagamento mínimo, está sendo apenas servido, e um saldo que cresce enquanto você paga o mínimo nunca zera, seja qual for a porcentagem do cartão. O período de graça também está ausente. Se você paga integralmente todo mês, não há juros nenhum sobre as compras; se você paga menos que o total, a maioria dos cartões cobra juros desde a data de cada compra, e não desde a data da fatura, de modo que o primeiro mês de juros desta página é uma simplificação, e um cartão que acumula juros diariamente vai dar diferente de um que acumula mensalmente. A sua taxa não é fixa na prática: a maioria dos cartões tem taxa variável atrelada a um indexador de mercado, então uma alta de juros alonga o cronograma. As tarifas estão ausentes, incluindo anuidade e encargo por atraso, e perder um pagamento costuma disparar uma taxa de rotativo mais alta que muda a resposta por completo. Nada aqui cobre o aviso de pagamento mínimo da fatura real, que é calculado sob regras que prescrevem como a estimativa é produzida. E nenhum valor carrega moeda: 5.000 e 25 significam a unidade que você digitou, e um piso de 25 é uma coisa muito diferente numa moeda cuja menor unidade útil é cem vezes maior. Falta a ressalva brasileira de sempre: isto não é um CET. O CET, Custo Efetivo Total, é o número que a regulamentação brasileira exige que seja divulgado antes da contratação de operações de crédito, e ele reúne juros, tarifas, tributos e seguros obrigatórios. Aqui existem juros e mais nada: não há anuidade, não há tarifa de emissão de fatura, não há encargo por atraso e não há IOF, que no rotativo do cartão brasileiro incide sobre a operação e não está em nenhuma linha deste painel. Os 861,13 de juros totais que o exemplo padrão devolve são, portanto, menores que o CET de uma operação equivalente, e é bom lembrar que na regra brasileira o total de juros e encargos ainda tem um teto de 100 por cento do valor original da dívida, um limite que o desenho americano que esta página calcula não tem.
Perguntas frequentes
- Quanto tempo leva para quitar um cartão pagando o mínimo?
- Mais do que a maioria das pessoas espera, e a porcentagem é que decide. Sobre 5.000 a 18 por cento, um mínimo de 10 por cento quita em 45 meses; um mínimo de 3 por cento leva 166 meses, quase catorze anos. É o mesmo saldo na mesma taxa, então a diferença é inteiramente a regra de pagamento mínimo do cartão, que no desenho americano pode se repetir indefinidamente.
- Por que pagar o mínimo demora tanto?
- Porque o mínimo é uma porcentagem do saldo, então ele cai conforme o saldo cai. No começo você amortiza uma boa parte do principal; mais tarde a mesma porcentagem já é um pagamento bem menor, e uma fatia maior dele vai para os juros. A dívida se aproxima de zero em vez de chegar a ele, e os últimos anos mexem muito pouco.
- O que é um piso de pagamento mínimo?
- É o menor valor que o cartão vai cobrar, independentemente do que a porcentagem dê. Ele importa em saldos pequenos: a 1 por cento de 1.000 o mínimo seria 10,00 contra 10,00 de juros mensais, e o saldo nunca sairia do lugar. Um piso de 25 é o que transforma isso numa quitação em pouco mais de quatro anos.
- Vale a pena pagar mais que o mínimo?
- Quase sempre, e o segundo exemplo acima mostra por quê: a diferença entre o mínimo e um valor fixo não é proporcional ao que você paga, é desproporcional. Pagar um valor fixo de 150 por mês naquele saldo quita em 47 meses em vez de 166, e pagar mais do que isso encurta ainda mais. O que isso custa é a liquidez, e se ela faz falta para você é uma decisão sua.
- O mínimo muda se eu continuar usando o cartão?
- Sim, e normalmente sobe, porque o mínimo é uma porcentagem de um saldo maior. Mas esta página supõe que não há gastos novos, então ela descreve um cartão que você parou de usar. Se você continua gastando nele, o cronograma daqui não se aplica: você está servindo uma dívida em vez de quitá-la, e nenhum pagamento mínimo vai zerá-la.
- Por que o mínimo da minha fatura é diferente do primeiro valor daqui?
- Porque os cartões calculam de formas diferentes. Alguns aplicam a porcentagem sobre o saldo inteiro, alguns somam juros e tarifas novos a uma porcentagem do principal, alguns incluem o valor que passou do limite ou qualquer parcela vencida integralmente, e alguns acrescentam o que faltou no mês anterior. O valor do primeiro mês que esta página devolve é a versão mais simples dessa regra; confira com a sua fatura e ajuste a porcentagem e o piso até baterem.
Referências
- 12 CFR 1026.7 — Periodic statement (Regulation Z): what a credit card statement must disclose, including the minimum payment and the minimum payment warning — Electronic Code of Federal Regulations, Office of the Federal Register (United States)
- G.19 Consumer Credit: the monthly series on credit card interest rates and revolving balances, which is where the rate you type comes from — Board of Governors of the Federal Reserve System (United States)